terça-feira, 21 de setembro de 2010
Kings of Convenience - Know how
Kings of Convenience, um sonzinho pra embalar um romance. Ou pra embalar aquela nostalgia ou aquela pretensão em casos menos favorecidos...
Conheci essa banda a certo tempo, sobre comentários do amigo Carlos Quadros, vulgo "Tevez". Aproveitando a "ponta" deixo uma propaganda sobre o trabalho do amigo, que por mais de vez me inspirou e me influenciou; segue o blog propriamente dito: http://seisvogais.blogspot.com/
História Trágica Com Final Feliz
Seguindo o embalo de "A Estória do gato e da Lua" de Pedro Serrazina, descobri essa outra fantástica poetiza portuguesa, Regina Pessoa...
Tanto a animação quanto a narração estão impecáveis!
segunda-feira, 20 de setembro de 2010
O Astronauta Onírico
O Astronauta Onírico
Ato II – Relicário Boreal
“Ainda sob o embarque de Apus, Cetus em velocidades incalculáveis afasta-se cada vez mais do Austral, enquanto tange com voluptuosidade os devaneios que o aguardam em Boreal...”
Depois de demasiada euforia, deu-se por conta Cetus de que algo lhe faltava,
De nada valeria chegar à sublime visão de Virgo, tendo as mãos vazias.
Era preciso ser garboso, ofertar-lhe relicário que em Austral não se encontrava...
Ouviu da boca de Auriga, menção sobre Lyra, sobre suas adoráveis melodias,
Deixou fixar-se na idéia de que sob encantos de Lyra, até doce Virgo cederia...
Afinal, se Orpheu dobrou Eurídice, dobraria Virgem sob Cetus ao longo dos dias.
Tal relicário escondia-se em emaranhados Coma de Berenices, como a lenda dizia,
Seu cabelo é na verdade o que vocês aí em baixo chamam de Linha do Equador,
E nem imaginais o quão tentado ficou Cetus, diante do que Berenices fazia...
Tranças e cachos, por onde ninfas subiam em direção aos céus, com ardor...
- Vós que cobiçais Virgo! Disse Berenices: deitais comigo e levas suposto relicário!
Ainda que devorasse seu corpo, Elíseos eram os jardins onde repousava seu amor.
- Pois se é no não que se descobre a faceta da verdade, não me venhas de solidário,
E tocada pelo encanto de Cetus à Virgo, Berenices repousou na dor de sua solidão...
- Levais Lyra, pois amais Virgo, mas não a conquistará sem dar mão ao imaginário.
Ouviu que o real relicário boreal, se dá na aurora da imaginação,
Ganhou também majestosa trança, para que usasse de corda quando preciso...
E partiu, deixando pra trás a ínfima tira que dá origem a criação.
De longe via que o encontro entre a noite e o dia o deixava indeciso,
É o que causa no peito da gente a vista de uma aurora boreal...
Quando não se sabe dia, quando não se sabe noite, quando não se é preciso.
Mas conforta Cetus, saber que o amigo leitor ainda ache tudo muito surreal,
Que vossa eminência leitoral, ainda não tenha corrido à janela averiguar,
Pois ainda brilha no céu a nebulosa avermelhada, manchada pelo madrigal...
Antônio Piaia
Antônio Piaia
Estória do Gato e da Lua
Essa é uma animação inspirada na obra de Pedro Serrrazina, um poeta Português, sempre que posso cito algum trecho desse poema, mas aqui teremos todo em forma de narrativa e com uma animação muito bem bolada...
domingo, 19 de setembro de 2010
O Astronauta Onírico
O Astronauta Onírico
[Prelúdio]
“Caro leitor, venho de além cósmico, de além onírico... Compartilhar com vossa senhoria uma estória há muito rabiscada acima de nossas cabeças; uma estória escrita entre estrelas, e que manchou toda uma constelação. Mas para que aprecies tal epopéia, amigo, é preciso que sonhes, é preciso que ainda desperto, deixeis rebentar o fio que o enlaça a dor vivente...Perdoais amigo leitor, a retórica deste que vos narra, mas tenha em mente que sois de molde rústico, de carne e osso assim como vos; e ao falar de estrelas permito me correr o pranto, pois se nas noites que passei inquieto, de cada lágrima vi formar-se nova constelação... Com base nisso e com o indicador em riste direção à teu rosto afirmo: este solilóquio boa poesia dará!”
Ato I – Sonho Austral
É quando cai a noite que se aproxima o luar certeiro,
Ofertando majestosamente o repouso em um lençol interestelar.
A cabeça afunda lentamente em conforto travesseiro...
É aqui que embarca Cetus, O Onironauta, ao som do primeiro silenciar,
Sua Argo Navis; Carina, Puppis e Vela, o levara primeiramente a Horologium,
Onde três eram os ponteiros que regiam os destinos, os fazendo cadenciar.
Em Lupus, duas garras certeiras cortaram o umbilical de sua raiz maternal,
Tivera de buscar refúgio, para o doce embaraço de seu simples cansaço...
Mas foi em Piscis Austrinus, que deu-se a formosura da primeira projeção zodiacal.
Ora, não fosse a anterior implosão do primeiro signo sobre seu tênue humor,
Teria findado passeio e retornado ao seio de seu gentil travesseiro...
Mas viu, ainda que de longe, Virgo... E tenha de súbito amigo leitor!
Em todo zodíaco não há, esse do verbo haver, de encontrar mais formosa dama...
Decido partiu Cetus, nada mais em Austral lhe cabia, nada mais lhe servia,
Levou consigo Crux, rente ao peito, pois era desses que fazia da fé gloriosa trama.
A viagem duraria cerca de três eternidades, onde o espaço/tempo se esvaia,
Pois zodiacal só se fita pela linha eclíptica, entre celeste sul e celeste norte...
Mas se pusesse mãos em Apus... Mais veloz que Argo Navis certamente seria.
Apus, Ave do Paraíso, passa por cá levando os sobreviventes da morte,
Não me negaria carona, mas a que horas passará? Dizem que vem a cada centena...
Mas que brilhante idéia, ó glorioso Cetus! Horologium, o relógio que traz a sorte!
Com o relógio volto cem anos, monto Apus e vou de encontro a minha falena...
Deu de mão e ajustou os ponteiros, viu as guerras e vitórias daquele centenário,
Não pensou no pecado de ir contra o tempo, pois à quem ama tudo vale a pena.
Asas de um puro branco irrompiam o escuro, fazendo do céu mero cenário,
- Apus! Leva-me ao zodíaco, ainda que vivo esteja; sem Virgo não me sinto!
E partiu, buscando nas asas de Apus, bálsamo pra seu coração solitário...
E que gosto tem amigo leitor... Fazer da paixão doce absinto,
Embriagar-se em tranças de Berenice e sem remorso afogar-se...
Se me julgas é, pois, não sabes o deletério de saciar-se no instinto.
Antônio Piaia
Antônio Piaia
sábado, 18 de setembro de 2010
O Objeto - 3 Na Massa (Nina Becker)
Um som altamente envolvente e sedutor, cativante e com uma pitada erotismo.
sexta-feira, 17 de setembro de 2010
Acelerador de Partículas
Viagens galácticas e outras histórias fantásticas,
São frutos da irrefutável lei da compensação,
Que diz que a massa alcança densidades drásticas,
Já que no vácuo do espaço não existe negociação.
Quem sabe, desafiando as leis metafísicas,
Fosse possível caminhar no cosmos da desolação,
E quem ousado o seria em contrariar as estatísticas,
Para sentir no peito o acalento da imensidão.
Sabe-se precisamente, através de equações aritméticas,
Que o corpo humano se desmancharia devido à alta pressão...
Mas os físicos esqueceram a alma e suas medidas milimétricas,
Pode sim o homem caminhar entre as estrelas então!
Enganou-se Newton, esqueceu-se de situações hipotéticas!
Calculou o corpo, e da essência d’alma abriu mão...
Mal sabia que a vida não se dá em linhas geométricas
E que o homem já era parte da mais divina constelação...
Antônio Piaia
Mãe
Mãe perdoa esse teu filho desnaturado,
Perdoa esse menino de coração desventurado.
Mãe, essa noite decidi teu sono velar,
Talvez assim me perdoe por te fazer chorar...
Mãe, eu ainda tenho esse sonho simplório,
De não te ver chorar no dia do meu velório,
Mas mãezinha se por esse filho boêmio lacrimejar,
Enxuga teu olho, pois lá estarei eu a te esperar...
Mãezinha, me dói te ver ai velhinha...
Mas dói mais, saber que te deixei sozinha,
Quando somente eu poderia te compensar,
Não bastara Deus, teu filho ousou te abandonar...
Mas velhinha, essa noite velarei teu cansaço,
E provarei que nem tudo em mim é fracasso,
Mãe, decidi que quero ir aos vinte e poucos,
Mas antes quero gritar esses versos loucos.
Me corta o peito te ver definhando,
Saber que o sopro de vida vai se apagando...
Mas mãe, perdoa esse teu filho tão calado,
Pois essa noite ele velará a teu lado.
Antônio Piaia
quinta-feira, 2 de setembro de 2010
Os Satélites Também Caem
Esta noite sonhei que os satélites voavam baixinho,
Mantinham sua órbita em torno das minhas idéias...
Foi quando vi despencar do céu, grandiosa estrutura de metal,
Desmantelou meu pensamento e quase esmagou meu tísico querer.
Engraçado é que quanto mais eu corria, mais eu morria...
E ai se deu minha ironia, pois pensei no sonho fazer poesia,
Quando dei por mim estava caminhando em solo lunar,
Lá de longe vi a terra e todos os satélites evaporarem no ar.
Fui invadido por uma sabedoria desmedida, assombrosa,
Um conhecimento que não me pertencia, que não sei de onde vinha,
Eram fórmulas, conceitos, teorias, ideologias, sintomas de sabedoria;
Olho pra cima e lá estava o satélite rodopiando meu pensar...
No meu sonho quis ser passarinho, voar de volta pra casa,
Tirei do bolso caneta e papel e redesenhei o mundo meu.
Acordei aqui, sem asa e sem casa, sem herança cósmica;
Então veio o sol e clareou o meu dia...
Antônio Piaia
domingo, 29 de agosto de 2010
Não Se Esqueça de Secar a Barba
Não se esqueça de secar a barba, sempre que a colocar de molho,
É pra evitar o fungo do fumo, o cheiro azedo do trago casual.
Não se esqueça do pente fino, que separa a retina do olho,
É pra lhe colocar a par do homem que é ainda neandertal...
Não se esqueça de secar a barba, sempre que lavar o rosto,
Pois se é na face que se estampa teu porta-estandarte.
Deixais crescer a barba em sinal de luto ao desgosto,
Ao gosto da origem lamacenta que busca refúgio na arte.
Não se esqueça de secar a barba, e saiba de todo o mal:
- Ainda que na cara a vontade de crescer, o cabelo cai,
Levando com ele o satélite orbital da lucidez mental...
Vai te sobrar a fuligem branca que no queixo se esvai.
Não se esqueça de secar a barba; e saiba a vida é uma escada,
Que na morte encontrou a sua sorte... Deixais crescer a barba,
Pois é ela que protege a face nua do tapa certeiro da mão pesada.
Regue as plantas e nunca, nunca se esqueça de secar a barba...
Antônio Piaia
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