segunda-feira, 20 de setembro de 2010

Estória do Gato e da Lua



Essa é uma animação inspirada na obra de Pedro Serrrazina, um poeta Português, sempre que posso cito algum trecho desse poema, mas aqui teremos todo em forma de narrativa e com uma animação muito bem bolada...

domingo, 19 de setembro de 2010

O Astronauta Onírico


O Astronauta Onírico
 [Prelúdio]
“Caro leitor, venho de além cósmico, de além onírico... Compartilhar com vossa senhoria uma estória há muito rabiscada acima de nossas cabeças; uma estória escrita entre estrelas, e que manchou toda uma constelação. Mas para que aprecies tal epopéia, amigo, é preciso que sonhes, é preciso que ainda desperto, deixeis rebentar o fio que o enlaça a dor vivente...Perdoais amigo leitor, a retórica deste que vos narra, mas tenha em mente que sois de molde rústico, de carne e osso assim como vos; e ao falar de estrelas permito me correr o pranto, pois se nas noites que passei inquieto, de cada lágrima vi formar-se nova constelação... Com base nisso e com o indicador em riste direção à teu rosto afirmo: este solilóquio boa poesia dará!”

Ato I – Sonho Austral

É quando cai a noite que se aproxima o luar certeiro,
Ofertando majestosamente o repouso em um lençol interestelar.
A cabeça afunda lentamente em conforto travesseiro...

É aqui que embarca Cetus, O Onironauta, ao som do primeiro silenciar,
Sua Argo Navis; Carina, Puppis e Vela, o levara primeiramente a Horologium,
Onde três eram os ponteiros que regiam os destinos, os fazendo cadenciar.

Em Lupus, duas garras certeiras cortaram o umbilical de sua raiz maternal,
Tivera de buscar refúgio, para o doce embaraço de seu simples cansaço...
Mas foi em Piscis Austrinus, que deu-se a formosura da primeira projeção zodiacal.

Ora, não fosse a anterior implosão do primeiro signo sobre seu tênue humor,
Teria findado passeio e retornado ao seio de seu gentil travesseiro...
Mas viu, ainda que de longe, Virgo... E tenha de súbito amigo leitor!

Em todo zodíaco não há, esse do verbo haver, de encontrar mais formosa dama...
Decido partiu Cetus, nada mais em Austral lhe cabia, nada mais lhe servia,
Levou consigo Crux, rente ao peito, pois era desses que fazia da fé gloriosa trama.

A viagem duraria cerca de três eternidades, onde o espaço/tempo se esvaia,
Pois zodiacal só se fita pela linha eclíptica, entre celeste sul e celeste norte...
Mas se pusesse mãos em Apus... Mais veloz que Argo Navis certamente seria.

Apus, Ave do Paraíso, passa por cá levando os sobreviventes da morte,
Não me negaria carona, mas a que horas passará? Dizem que vem a cada centena...
Mas que brilhante idéia, ó glorioso Cetus! Horologium, o relógio que traz a sorte!

Com o relógio volto cem anos, monto Apus e vou de encontro a minha falena...
Deu de mão e ajustou os ponteiros, viu as guerras e vitórias daquele centenário,
Não pensou no pecado de ir contra o tempo, pois à quem ama tudo vale a pena.

Asas de um puro branco irrompiam o escuro, fazendo do céu mero cenário,
- Apus! Leva-me ao zodíaco, ainda que vivo esteja; sem Virgo não me sinto!
E partiu, buscando nas asas de Apus, bálsamo pra seu coração solitário...  

E que gosto tem amigo leitor... Fazer da paixão doce absinto,
Embriagar-se em tranças de Berenice e sem remorso afogar-se...
Se me julgas é, pois, não sabes o deletério de saciar-se no instinto.


Antônio Piaia

sábado, 18 de setembro de 2010

O Objeto - 3 Na Massa (Nina Becker)



Pra quem não conhece, esse é o trabalho do 3 Na Massa, uma mescla de alguns músicos do Nação Zumbi com famosas intérpretes da MPB, aqui Nina Becker em um clipe dirigido por ela mesma.
Um som altamente envolvente e sedutor, cativante e com uma pitada erotismo.

sexta-feira, 17 de setembro de 2010

Acelerador de Partículas



Viagens galácticas e outras histórias fantásticas,
São frutos da irrefutável lei da compensação,
Que diz que a massa alcança densidades drásticas,
Já que no vácuo do espaço não existe negociação.

Quem sabe, desafiando as leis metafísicas,
Fosse possível caminhar no cosmos da desolação,
E quem ousado o seria em contrariar as estatísticas,
Para sentir no peito o acalento da imensidão.

Sabe-se precisamente, através de equações aritméticas,
Que o corpo humano se desmancharia devido à alta pressão...
Mas os físicos esqueceram a alma e suas medidas milimétricas,
Pode sim o homem caminhar entre as estrelas então!

Enganou-se Newton, esqueceu-se de situações hipotéticas!
Calculou o corpo, e da essência d’alma abriu mão...
Mal sabia que a vida não se dá em linhas geométricas
E que o homem já era parte da mais divina constelação...

Antônio Piaia

Mãe




Mãe perdoa esse teu filho desnaturado,
Perdoa esse menino de coração desventurado.
Mãe, essa noite decidi teu sono velar,
Talvez assim me perdoe por te fazer chorar...

Mãe, eu ainda tenho esse sonho simplório,
De não te ver chorar no dia do meu velório,
Mas mãezinha se por esse filho boêmio lacrimejar,
Enxuga teu olho, pois lá estarei eu a te esperar...

Mãezinha, me dói te ver ai velhinha...
Mas dói mais, saber que te deixei sozinha,
Quando somente eu poderia te compensar,
Não bastara Deus, teu filho ousou te abandonar...

Mas velhinha, essa noite velarei teu cansaço,
E provarei que nem tudo em mim é fracasso,
Mãe, decidi que quero ir aos vinte e poucos,
Mas antes quero gritar esses versos loucos.

 Me corta o peito te ver definhando,
Saber que o sopro de vida vai se apagando...
Mas mãe, perdoa esse teu filho tão calado,
Pois essa noite ele velará a teu lado.


Antônio Piaia

quinta-feira, 2 de setembro de 2010

Os Satélites Também Caem



Esta noite sonhei que os satélites voavam baixinho,
Mantinham sua órbita em torno das minhas idéias...
Foi quando vi despencar do céu, grandiosa estrutura de metal,
Desmantelou meu pensamento e quase esmagou meu tísico querer.

Engraçado é que quanto mais eu corria, mais eu morria...
E ai se deu minha ironia, pois pensei no sonho fazer poesia,
Quando dei por mim estava caminhando em solo lunar,
Lá de longe vi a terra e todos os satélites evaporarem no ar.

Fui invadido por uma sabedoria desmedida, assombrosa,
Um conhecimento que não me pertencia, que não sei de onde vinha,
Eram fórmulas, conceitos, teorias, ideologias, sintomas de sabedoria;
Olho pra cima e lá estava o satélite rodopiando meu pensar...

No meu sonho quis ser passarinho, voar de volta pra casa,
Tirei do bolso caneta e papel e redesenhei o mundo meu.
Acordei aqui, sem asa e sem casa, sem herança cósmica;
Então veio o sol e clareou o meu dia...

Antônio Piaia

domingo, 29 de agosto de 2010

Não Se Esqueça de Secar a Barba



Não se esqueça de secar a barba, sempre que a colocar de molho,
É pra evitar o fungo do fumo, o cheiro azedo do trago casual.
Não se esqueça do pente fino, que separa a retina do olho,
É pra lhe colocar a par do homem que é ainda neandertal...

Não se esqueça de secar a barba, sempre que lavar o rosto,
Pois se é na face que se estampa teu porta-estandarte.
Deixais crescer a barba em sinal de luto ao desgosto,
Ao gosto da origem lamacenta que busca refúgio na arte.

Não se esqueça de secar a barba, e saiba de todo o mal:
             - Ainda que na cara a vontade de crescer, o cabelo cai,
Levando com ele o satélite orbital da lucidez mental...
Vai te sobrar a fuligem branca que no queixo se esvai.

Não se esqueça de secar a barba; e saiba a vida é uma escada,
Que na morte encontrou a sua sorte... Deixais crescer a barba,
Pois é ela que protege a face nua do tapa certeiro da mão pesada.
 Regue as plantas e nunca, nunca se esqueça de secar a barba...

Antônio Piaia

sábado, 21 de agosto de 2010

A Sedutora




Se te insinua, desperta ainda mais o meu instinto...
Pra depois me deixar assim, tão cheio de pecado,
Tão inebriado de luxúria, tão escravo do que sinto.

No meu corpo só, a delicada embriaguez do corpo teu.
E no crespo de teu cabelo o nó que me trava a garganta,
Permitiu-se a pele negra arrepiar, num derradeiro suspiro meu...

Sobre a encosta do seio macio. Às margens do toque sutil,
Correu o suor que levara o arder do aconchego teu...
 Acabou-se por refém da libido em um beijo febril.

Se te navego é pra depois me desaguar em teu sorriso acanhado;
Que se mostra de lado, por debaixo de teu corpo faminto,
E tuas pernas tremem aos passos de um tango desafinado...

Vem desse teu silêncio gemido uma vontade de gritar...
 Se hoje me maltrata é pra amanhã me seduzir,
Se agora me abandona é pra depois me conquistar.


                                                                    Antônio Piaia

O Empírico



Foi de cansado que abri mão da alquimia,
Por estar desgostoso com a hermética, fui morar em confinamento,
Soluções, vapores e intenções à noite, solitude durante o dia...

Então, ainda em ebulição, formou-se um medíocre pensamento
E de uma ruptura científica consumiu-se em taquicardia,
Não era o éter, não era o sal... Talvez a afasia em pleno movimento.  

Outro patrício, outro pioneiro, outra vida que se esvaia,
Mas o princípio empirista de minha antiga ciência me trouxe alento [transformação]
Do sangue ao diamante, o único fim que me cabia.

[Gênesis]
E meus cabelos viraram fios de cobre, meus dedos pedaços de giz. No calcário úmido que outrora fora meu abrigo orgânico, queda-se uma ametista vermelha, pulsante como o coração de um velho errante.

                                                                                                                                     Antônio Piaia

sábado, 29 de maio de 2010

Atos Indizíveis

Se soubesses o quanto te desejo, se soubesses o quanto imagino...
Perderia meus pudores se por uma noite estivesse ao teu lado
Bem sei que me envolveria nos profanos odores de teu corpo
Como abelhas às flores.

Beijaria tua boca com cumplicidade de marido e mulher
Fecharia meus olhos a deter-me no pulso de teu pescoço
Com minhas mãos certeiras, vislumbraria teus ímpios seios
Como um filho à mãe.

Deixaria escapar a pior parte de mim e como um antropófago
Alimentaria-me de ti, devoraria tua carne e tua alma
Com rispidez e suavidade, redesenharia teus traços corporais
Como o artista à escultura.

Respeitosamente, te ofertaria meu corpo para que sentisses meu gosto
Acompanharia teus movimentos cardíacos com minha respiração [ofegante]
Com minha boca amarga e seca, me afogaria sem remorso em teu útero
Como o náufrago ao oceano.

Confortavelmente me instalaria dentro de ti, até o fim da noite
E juntos seriamos um; amálgama de suores, sentidos e ressentimentos
Derramaria em ti a veracidade de meus profanos [ingênuos] desejos
Como Deus a criação.

Te beijaria a testa, ascenderia um cigarro e iria embora.
[Se soubesses o quanto te desejo, se soubesses o quanto te imagino...
jamais tocaria minha mão com intenções banais]


Antônio Piaia