terça-feira, 1 de dezembro de 2009

Homem ao Meio



Antes dos seus sapatos brancos, pés cansados do peso da velhice,
Belos anéis não escondiam mais os duros calos na palma de sua mão.

Debaixo do chapéu havia uma testa lisa, já consumida pela calvície,
Por de trás das camisas de seda e colares enrustidos, pulsava um coração.

Ninguém ouviu quando seu velho coração parou de bater,
Recostou a cabeça no meio fio e seu chapéu rolou...

E seu chapéu rolou.


Antônio Piaia

Waking Life



Após não conseguir acordar de um sonho, um jovem passa a encontrar pessoas da vida real em seu mundo imaginário, com quem têm longas conversas sobre os vários estados da consciência humana e discussões filosóficas e religiosas.
O filme é uma viagem em um mundo fictício onde o personagem principal da trama é um onironauta (indivíduo que se mantém lúcido dentro de um sonho), dentro deste universo alternativo o personagem se confronta com inúmeros pensamentos e idéias que supostamente provém dele mesmo. Além disso, o filme tem uma forte crítica social sem se tornar cansativo, a arte em cada cena é capaz de deixar qualquer um fixado em frente a tela; a trilha sonora é toda feita por um grupo chamado "Tosca Tango Orchestra" que aparece tocando logo nas primeiras cenas do filme... Sem sombra de dúvidas esse foi um dos filmes que mudou a minha vida e a minha forma de ver o mundo...




Formato: rmvb
Áudio: Inglês
Legendas: Português
Duração: 1:38
Tamanho: 380 MB
Divididos em 05 Partes
Servidor: Rapidishare



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Falecido em mim





Não havia um motivo plausível ou algo que justificasse o inevitável,
Simplesmente ocorreu.
Nada que explicasse sua dor, ou algo que justificasse seu rancor,
Simplesmente desapareceu.
nunca souberam a razão, ou algo que justificasse a sua solidão,
Simplesmente morreu.

Justificativa de quem da vida não espera nada... 
A não ser a morte.


Antônio Piaia

Modigliani - Paixão pela Vida



Ele revolucionou o mundo das artes como um cometa, dançando sobre as mesas, embriagado de paixão pela vida. Inspirado pelo amor e consumido pela obsessão. Ele é o famoso pintor italiano Amedeo Modigliani (Andy Garcia), um gênio criativo que viveu e absorveu a charmosa Paris do início do século 20 com uma atração incontrolável pela beleza. Sempre com a mesma intensidade, o judeu Modigliani amou a católica Jeanne Hebuterne (Elsa Sylberstein) e odiou o genial Pablo Picaso (Omid Djalili). 


Sem sombra de dúvidas um grande filme, que retrata de uma maneira poética a vida do boêmio Modigliani, o filme possui algumas contradições com a vida real do pintor, mas ainda assim é uma obra prima...


DADOS DO ARQUIVO
Gênero: Drama
Origem/Ano: FRA/2004
Formato: rmvb
Áudio: Inglês
Legendas: Português/BR (embutidas)
Duração: 128 min
Tamanho: 379 MB
Servidor: Rapidshare (4 partes)



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segunda-feira, 30 de novembro de 2009

Finitude do Ser


Porque um dia hão de enterrar-te,
Sob a espessa camada do esquecimento.
A silenciosa ramagem fria será o alento,
Mais nada haverá de sobrar-te.

Tecerás uma coroa com raízes e cabelos.
Sobre a tua face sementes germinarão.
E no vão da memória, paradoxalmente,
As flores no teu peito murcharão.

Em teu corpo, sinta o peso da mortalha.
Como um berço, afunda-te no seio da terra
Aceita o destino dos homens, amigo.
E faça da vida uma fantástica sala de espera.

Carlos Quadros

Finitude do Ser II


Bem sei que hei de ser enterrado,
E sem discernimento cairei no esquecimento,
Ouvindo meu silêncio sob a terra fria,
Restara-me somente um gole de solidão.

Assim, de olhos vendados e peito fadado,
Nem vi a terra me engolir, nem vi...
E fronte meu peito, sete palmos acima,
O amigo regou a flor que brotara na terra.

De ternura, repousei em minha alma,
Consciente do engano de ser eterno em matéria,
Finito na carne que apodreceu, nem vi...
Acostar-se sobre a grama a vida que deixei passar.



                        Antônio Piaia

Este poema foi inspirado na obra "Finitude do Ser" por Carlos Quadros; o meu irmão de palavras, ao ler Finitude do Ser subitamente imaginei alguém indo velar o túmulo de um precioso amigo, então resolvi escrever um pouco sobre a idéia de ser velado por um amigo, Fnitude do Ser II retrata essa visão do homem como um ser finito, mas ainda assim pleno.

Retomando as atividades...


Então... Estive sumido uns tempos, pra falar a verdade não estava com inspiração para postar mais nada por aqui, mas eis que derrepente, não mais que derrepente as coisas começaram a tomar um curso diferente e retornei a rabiscar algumas linhas... Esses dias onde me ausentei foram dias bons e foram dias ruins, foi um período onde o que era novo e atraente, tornou-se banal e fútil, foi nesse período também que aprendi o verdadeiro valor de alguns sentimentos que estavam ausentes em mim até então...

Dedico meu retorno aos pouco, porém valiosos amigos que tem me feito muita falta e a minha mãe que está longe, mas sempre aqui do lado de dentro do peito.

terça-feira, 24 de fevereiro de 2009

Estória do Gato e da Lua



http://www.youtube.com/watch?v=zEzIPsKwTlw



“No princípio era o negro absoluto, a imensidão calma da noite.
Depois ela surgiu e tudo mudou.
Há muito que deixei de a procurar, agora tudo é mais calmo.
Aprendi que o melhor é esperar. Ela virá quando puder... ou quiser.
Sei que um dia virá ter comigo, senão porque passaria horas a fio, noites inteiras a observar-me?
Nada mais importa. Eu espero...

Mas nem sempre fui assim.
Depois de a conhecer a minha vida mudou. Procurei segui-la, por ela atravessei mares, corri oceanos, cheguei mesmo a andar à deriva. Tudo fiz para a encontrar. Quando julguei estar perto... estava ainda bem longe.

Senti-me perdido, sem saber o que fazer. No meio de tanto mar o barco tornava-se cada vez mais apertado, o mundo cada vez mais pequeno para toda aquela paixão!

Foi então que mudei de vida. Arranjei casa e confortavelmente instalado, julguei irrecusável a minha proposta.

Mas, de novo, ela fugiu.

Desesperado, fui então de telhado em telhado atrás dela, escravo daquele desejo, prisioneiro daquela atracção que pouco a pouco me deixava cada vez mais só.

E o tempo passou...
Agora já não corro, espero apenas.
O resto não importa...”


Pedro Serrazina, 1995.

terça-feira, 10 de fevereiro de 2009

Prólogo do Tempo


Tempo...Tempo...Tempo...
És tu o culpado por eu estar assim,
triste, solitário, amargo, velho.

Se tivesses parado ao menos uma vez,
talvez eu pudesse te acompanhar.
Mas tu, sempre apressado,
não pode esperar...

Mas agradeço-te eternamente,
por me deixar lembranças.
Foi bom ter amigos,
e foi bom ter amado alguém...

Mas tempo, se tu não tivesses tanta pressa...
Levou tudo o que me fazia sorrir,
mas esqueceu de levar contigo minha dor.

Tempo...Tempo...Tempo...
És tu que reges a vida, com triste melodia,
sem parar vai levando tudo.

Leva a beleza das mulheres,
leva a força dos homens,
leva a juventude das crianças...

Tempo...Tempo...Tempo...
Vai agora e segue teu rumo,
e se um dia me encontrar,
perdido pelo caminho...

Não se preocupe em estender a mão,
pois só estou atrás do que me levou embora.
Tempo...Tempo...Tempo...

Antônio Piaia

Cartões Postais


Não me dizem nada.
Meros instrumentos da vaidade humana,
Servem para quê? Inúteis cartões postais.

Nada tão significativo.
Mais um pedaço de papel pra entupir gavetas,
Sem utilidade alguma! Fúteis cartões postais.

Nunca enviarei à ti.
Mesmo que espere afoita durante as manhãs,
Um pensamento vale mais que mil postais.

Malditos cartões postais...
Não me dizem nada.
Absolutamente nada.


Antônio Piaia