segunda-feira, 30 de novembro de 2009

Finitude do Ser II


Bem sei que hei de ser enterrado,
E sem discernimento cairei no esquecimento,
Ouvindo meu silêncio sob a terra fria,
Restara-me somente um gole de solidão.

Assim, de olhos vendados e peito fadado,
Nem vi a terra me engolir, nem vi...
E fronte meu peito, sete palmos acima,
O amigo regou a flor que brotara na terra.

De ternura, repousei em minha alma,
Consciente do engano de ser eterno em matéria,
Finito na carne que apodreceu, nem vi...
Acostar-se sobre a grama a vida que deixei passar.



                        Antônio Piaia

Este poema foi inspirado na obra "Finitude do Ser" por Carlos Quadros; o meu irmão de palavras, ao ler Finitude do Ser subitamente imaginei alguém indo velar o túmulo de um precioso amigo, então resolvi escrever um pouco sobre a idéia de ser velado por um amigo, Fnitude do Ser II retrata essa visão do homem como um ser finito, mas ainda assim pleno.

Retomando as atividades...


Então... Estive sumido uns tempos, pra falar a verdade não estava com inspiração para postar mais nada por aqui, mas eis que derrepente, não mais que derrepente as coisas começaram a tomar um curso diferente e retornei a rabiscar algumas linhas... Esses dias onde me ausentei foram dias bons e foram dias ruins, foi um período onde o que era novo e atraente, tornou-se banal e fútil, foi nesse período também que aprendi o verdadeiro valor de alguns sentimentos que estavam ausentes em mim até então...

Dedico meu retorno aos pouco, porém valiosos amigos que tem me feito muita falta e a minha mãe que está longe, mas sempre aqui do lado de dentro do peito.

terça-feira, 24 de fevereiro de 2009

Estória do Gato e da Lua



http://www.youtube.com/watch?v=zEzIPsKwTlw



“No princípio era o negro absoluto, a imensidão calma da noite.
Depois ela surgiu e tudo mudou.
Há muito que deixei de a procurar, agora tudo é mais calmo.
Aprendi que o melhor é esperar. Ela virá quando puder... ou quiser.
Sei que um dia virá ter comigo, senão porque passaria horas a fio, noites inteiras a observar-me?
Nada mais importa. Eu espero...

Mas nem sempre fui assim.
Depois de a conhecer a minha vida mudou. Procurei segui-la, por ela atravessei mares, corri oceanos, cheguei mesmo a andar à deriva. Tudo fiz para a encontrar. Quando julguei estar perto... estava ainda bem longe.

Senti-me perdido, sem saber o que fazer. No meio de tanto mar o barco tornava-se cada vez mais apertado, o mundo cada vez mais pequeno para toda aquela paixão!

Foi então que mudei de vida. Arranjei casa e confortavelmente instalado, julguei irrecusável a minha proposta.

Mas, de novo, ela fugiu.

Desesperado, fui então de telhado em telhado atrás dela, escravo daquele desejo, prisioneiro daquela atracção que pouco a pouco me deixava cada vez mais só.

E o tempo passou...
Agora já não corro, espero apenas.
O resto não importa...”


Pedro Serrazina, 1995.

terça-feira, 10 de fevereiro de 2009

Prólogo do Tempo


Tempo...Tempo...Tempo...
És tu o culpado por eu estar assim,
triste, solitário, amargo, velho.

Se tivesses parado ao menos uma vez,
talvez eu pudesse te acompanhar.
Mas tu, sempre apressado,
não pode esperar...

Mas agradeço-te eternamente,
por me deixar lembranças.
Foi bom ter amigos,
e foi bom ter amado alguém...

Mas tempo, se tu não tivesses tanta pressa...
Levou tudo o que me fazia sorrir,
mas esqueceu de levar contigo minha dor.

Tempo...Tempo...Tempo...
És tu que reges a vida, com triste melodia,
sem parar vai levando tudo.

Leva a beleza das mulheres,
leva a força dos homens,
leva a juventude das crianças...

Tempo...Tempo...Tempo...
Vai agora e segue teu rumo,
e se um dia me encontrar,
perdido pelo caminho...

Não se preocupe em estender a mão,
pois só estou atrás do que me levou embora.
Tempo...Tempo...Tempo...

Antônio Piaia

Cartões Postais


Não me dizem nada.
Meros instrumentos da vaidade humana,
Servem para quê? Inúteis cartões postais.

Nada tão significativo.
Mais um pedaço de papel pra entupir gavetas,
Sem utilidade alguma! Fúteis cartões postais.

Nunca enviarei à ti.
Mesmo que espere afoita durante as manhãs,
Um pensamento vale mais que mil postais.

Malditos cartões postais...
Não me dizem nada.
Absolutamente nada.


Antônio Piaia

sexta-feira, 2 de janeiro de 2009

Tão Sem Graça


Aos tristes os carnavais são assim...

Quantos carnavais mais hão de passar,
E eu aqui...
Quantos sonetos mais os poetas vão contar,
E eu aqui...

Levanta Pierrot segue o bloco,
Pois quem é triste fica pra trás...


Antônio Piaia

sábado, 20 de dezembro de 2008

Atria


Se um dia olhares para o céu soturno,
Se ao menos uma vez em toda eternidade,
Contemplares o céu noturno

Lá estarão às estrelas,
Brilhando pelo infinito, que por fim
Trazem teu amor a mim

Quando estiveres totalmente só,
E teus sonhos tiverem acabado
Mesmo que o mundo vire pó

Se olhares além do céu,
Além de onde moram os anjos,
Verás através do véu

E só então, saberás que por todo o sempre,
Estive te olhando e nas noites frias,
Com meu calor estive te amando...


Antônio Piaia

quarta-feira, 17 de dezembro de 2008

O Corpo

Pedaço de carne, máquina da vida, instrumento de reprodução.
Por que, tanto me atrai o teu?

Abrigo transitório, ninho de vermes, já nasce em decomposição.
Por que, tanto me traio pelo teu?

Antônio Piaia

(Foto Por: Amanda Mendonça)

sexta-feira, 12 de dezembro de 2008

Estações

Tristes são os dias que me pego solitário,
Devaneios nublados...

Bons eram os dias em que estava a teu lado,
Pensamentos ensolarados...

E agora nem companhia e nem solidão,
Perco-me em devaneios,
Criando uma nova estação...


Antônio Piaia

segunda-feira, 8 de dezembro de 2008

Pequenina Rosa

Deita, te cobre com as estrelas,
Dorme e apaga essa lua,
Sonha e amanhã com o sol há de te acordar,
Faço-te do infinito boa cama...

Calma, o sono já vem...
Aceita essa rosa, oferto-te essa ceia...
Come Marte e bebe Netuno.
Embriaga-te no vinho doce que é a via-láctea...

Agora sem fome, sem sede,
Aceita essa rosa, pequenina rosa,
Tímida flor, simplória se comparada ao amor,
Deita, dorme e sonha agora...

Descansa teu corpo, estende mão a tua alma,
Se não se importar vou acender a lua...
Melhor agora, vejo teu rosto, toco teu corpo,
Agora enxergo... Era tu a pequenina rosa...


Antônio Piaia