quarta-feira, 2 de dezembro de 2009

Deixa eu viver minha utopia!



Durante alguns dias estive imerso em uma série de dúvidas sobre os mais diversos temas, em uma discussão com uma professora de filosofia tive a oportunidade de deixar escapar algumas idéias... Falava-mos sobre as bolsas e cotas um assunto que ainda é polêmico e que no meu singelo ponto de vista sempre vai dar pano-pra-manga... Pois bem, me posicionei a favor das bolsas enquanto a maioria dos meus colegas se posicionou contra, fazendo duras críticas ao nosso governo atual, não sou um defensor, muito menos um "paga-pau" do Lula, o governo como todos os outros é um governo falho, mas retornemos as bolsas e cotas... Sou negro, classe média-baixa, e cotista em uma universidade privada, isso justificaria todo o meu ímpeto defensor pelos fracos e oprimidos? Não! sejamos francos, seja franco com você mesmo... Os negros não são um povo estigmatizado? Não foram eles que ergueram a sociedade tijolo por tijolo, enquanto os outros ficavam com a bunda colada em poltronas estofadas bebendo vinhos italianos? Em um regime neo-liberal como o nosso acredito que o mínimo que se pode fazer é isso; ai você vem e me pergunta: mas bolsas e cotas não são medidas provisórias? Sim, são medidas provisórias, não devemos nos contentar com elas, mas eu acredito que seja uma forma de tentar resgatar algo que há muito estava perdido, a igualdade dentro da sociedade.
Então alguém vem e diz: pra isso que temos as universidades federais, pra que todos tenham a oportunidade a um ensino de qualidade... Não sou tão idiota a ponto de questionar a qualidade do ensino, mas questiono as "oportunidades", um vestibular não é uma forma de segregação? não é mais uma forma de excluir e separar a sociedade? Agora se você ai ainda pensa que esforço e dedicação vão te garantir uma vaga em  uma universidade federal, desculpa meu camarada mas isso não vai acontecer. Se você trabalha o dia inteiro ou cuida da sua mãe doente, ou desvia de tiroteios no bairro onde você mora, me diga com franqueza amigo, você tem estrutura psicológica e social para passar na federal? Salvo gloriosas excessões as quais eu chamaria de "X-MEN", acredito que a maioria vá me responder NÃO. Anteriormente falei do povo negro como um povo estigmatizado, vou ir um pouco mais além e dizer que a nossa sociedade toda é estigmatizada.

Vivemos em uma sociedade de valores invertidos, a mídia tem o papel de te fazer sentir um saco de bosta, se você não consume você está fora, se você não acompanha as tendências você é um alienado, e quer saber mais? Isso tudo se tornou uma coisa tão normal que enquanto estou aqui fazendo esta dura crítica bebo Coca-Cola e fumo Malboro, irônico não? Na verdade patético e vergonhoso.
Ouvi da mesma professora que o comunismo era uma utopia, confesso que na hora aquilo me deixou puto, mas durante a noite refleti e vi que ela tinha razão, sabe por que o comunismo é uma utopia? Pois passamos o tempo inteiro exercendo a nossa individualidade... Passamos o tempo inteiro conjugando a vida na primeira pessoa do singular "Eu"... Eu... Eu e Eu novamente... Como se manteria um regime que prega o coletivo em primeiro lugar? Uma lástima que tenhamos nos tornado tão egoístas, e a cada dia que passa nos escondemos mais dentro dessa invenção do eu. Deixamos a nossa sociedade distorcer tudo o que Maquiável ensinou sobre política, Foucault falava em relações de poder, onde foi parar todo esse poder? Entregamos nas mãos poluídas de governantes corrompidos... Mas eu ainda acredito que o poder está por aí... Me diga então, o que pretende fazer com o seu poder?

terça-feira, 1 de dezembro de 2009

I'am a cyborg, but that's ok




Uma garota que pensa que é uma combatente ciborgue é internada em um hospital, onde encontra outros psicóticos. Eventualmente acaba se apaixonando por um homem que pensa que pode roubar a alma das pessoas. Filme de um dos nomes mais respeitados/comentados do cinema internacional hoje, o coreano Park Chan Wook, diretor de Oldboy. 



DADOS DO ARQUIVO
Formato: RMVB
Áudio: Coreano
Legendas: Português/BR (embutidas)
Duração: 107 min
Tamanho: 373 MB
Partes: 2
Servidor: Rapidshare

Links:
Parte 1

Parte 2

Homem ao Meio



Antes dos seus sapatos brancos, pés cansados do peso da velhice,
Belos anéis não escondiam mais os duros calos na palma de sua mão.

Debaixo do chapéu havia uma testa lisa, já consumida pela calvície,
Por de trás das camisas de seda e colares enrustidos, pulsava um coração.

Ninguém ouviu quando seu velho coração parou de bater,
Recostou a cabeça no meio fio e seu chapéu rolou...

E seu chapéu rolou.


Antônio Piaia

Waking Life



Após não conseguir acordar de um sonho, um jovem passa a encontrar pessoas da vida real em seu mundo imaginário, com quem têm longas conversas sobre os vários estados da consciência humana e discussões filosóficas e religiosas.
O filme é uma viagem em um mundo fictício onde o personagem principal da trama é um onironauta (indivíduo que se mantém lúcido dentro de um sonho), dentro deste universo alternativo o personagem se confronta com inúmeros pensamentos e idéias que supostamente provém dele mesmo. Além disso, o filme tem uma forte crítica social sem se tornar cansativo, a arte em cada cena é capaz de deixar qualquer um fixado em frente a tela; a trilha sonora é toda feita por um grupo chamado "Tosca Tango Orchestra" que aparece tocando logo nas primeiras cenas do filme... Sem sombra de dúvidas esse foi um dos filmes que mudou a minha vida e a minha forma de ver o mundo...




Formato: rmvb
Áudio: Inglês
Legendas: Português
Duração: 1:38
Tamanho: 380 MB
Divididos em 05 Partes
Servidor: Rapidishare



Links:




Falecido em mim





Não havia um motivo plausível ou algo que justificasse o inevitável,
Simplesmente ocorreu.
Nada que explicasse sua dor, ou algo que justificasse seu rancor,
Simplesmente desapareceu.
nunca souberam a razão, ou algo que justificasse a sua solidão,
Simplesmente morreu.

Justificativa de quem da vida não espera nada... 
A não ser a morte.


Antônio Piaia

Modigliani - Paixão pela Vida



Ele revolucionou o mundo das artes como um cometa, dançando sobre as mesas, embriagado de paixão pela vida. Inspirado pelo amor e consumido pela obsessão. Ele é o famoso pintor italiano Amedeo Modigliani (Andy Garcia), um gênio criativo que viveu e absorveu a charmosa Paris do início do século 20 com uma atração incontrolável pela beleza. Sempre com a mesma intensidade, o judeu Modigliani amou a católica Jeanne Hebuterne (Elsa Sylberstein) e odiou o genial Pablo Picaso (Omid Djalili). 


Sem sombra de dúvidas um grande filme, que retrata de uma maneira poética a vida do boêmio Modigliani, o filme possui algumas contradições com a vida real do pintor, mas ainda assim é uma obra prima...


DADOS DO ARQUIVO
Gênero: Drama
Origem/Ano: FRA/2004
Formato: rmvb
Áudio: Inglês
Legendas: Português/BR (embutidas)
Duração: 128 min
Tamanho: 379 MB
Servidor: Rapidshare (4 partes)



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segunda-feira, 30 de novembro de 2009

Finitude do Ser


Porque um dia hão de enterrar-te,
Sob a espessa camada do esquecimento.
A silenciosa ramagem fria será o alento,
Mais nada haverá de sobrar-te.

Tecerás uma coroa com raízes e cabelos.
Sobre a tua face sementes germinarão.
E no vão da memória, paradoxalmente,
As flores no teu peito murcharão.

Em teu corpo, sinta o peso da mortalha.
Como um berço, afunda-te no seio da terra
Aceita o destino dos homens, amigo.
E faça da vida uma fantástica sala de espera.

Carlos Quadros

Finitude do Ser II


Bem sei que hei de ser enterrado,
E sem discernimento cairei no esquecimento,
Ouvindo meu silêncio sob a terra fria,
Restara-me somente um gole de solidão.

Assim, de olhos vendados e peito fadado,
Nem vi a terra me engolir, nem vi...
E fronte meu peito, sete palmos acima,
O amigo regou a flor que brotara na terra.

De ternura, repousei em minha alma,
Consciente do engano de ser eterno em matéria,
Finito na carne que apodreceu, nem vi...
Acostar-se sobre a grama a vida que deixei passar.



                        Antônio Piaia

Este poema foi inspirado na obra "Finitude do Ser" por Carlos Quadros; o meu irmão de palavras, ao ler Finitude do Ser subitamente imaginei alguém indo velar o túmulo de um precioso amigo, então resolvi escrever um pouco sobre a idéia de ser velado por um amigo, Fnitude do Ser II retrata essa visão do homem como um ser finito, mas ainda assim pleno.

Retomando as atividades...


Então... Estive sumido uns tempos, pra falar a verdade não estava com inspiração para postar mais nada por aqui, mas eis que derrepente, não mais que derrepente as coisas começaram a tomar um curso diferente e retornei a rabiscar algumas linhas... Esses dias onde me ausentei foram dias bons e foram dias ruins, foi um período onde o que era novo e atraente, tornou-se banal e fútil, foi nesse período também que aprendi o verdadeiro valor de alguns sentimentos que estavam ausentes em mim até então...

Dedico meu retorno aos pouco, porém valiosos amigos que tem me feito muita falta e a minha mãe que está longe, mas sempre aqui do lado de dentro do peito.

terça-feira, 24 de fevereiro de 2009

Estória do Gato e da Lua



http://www.youtube.com/watch?v=zEzIPsKwTlw



“No princípio era o negro absoluto, a imensidão calma da noite.
Depois ela surgiu e tudo mudou.
Há muito que deixei de a procurar, agora tudo é mais calmo.
Aprendi que o melhor é esperar. Ela virá quando puder... ou quiser.
Sei que um dia virá ter comigo, senão porque passaria horas a fio, noites inteiras a observar-me?
Nada mais importa. Eu espero...

Mas nem sempre fui assim.
Depois de a conhecer a minha vida mudou. Procurei segui-la, por ela atravessei mares, corri oceanos, cheguei mesmo a andar à deriva. Tudo fiz para a encontrar. Quando julguei estar perto... estava ainda bem longe.

Senti-me perdido, sem saber o que fazer. No meio de tanto mar o barco tornava-se cada vez mais apertado, o mundo cada vez mais pequeno para toda aquela paixão!

Foi então que mudei de vida. Arranjei casa e confortavelmente instalado, julguei irrecusável a minha proposta.

Mas, de novo, ela fugiu.

Desesperado, fui então de telhado em telhado atrás dela, escravo daquele desejo, prisioneiro daquela atracção que pouco a pouco me deixava cada vez mais só.

E o tempo passou...
Agora já não corro, espero apenas.
O resto não importa...”


Pedro Serrazina, 1995.